Testamento

março 26, 2010

Longe de mim chorar no dia do meu aniversário, por mais pisciano que tenha me tornado ainda há um bode ariano forte e urgente dentro de mim. E da morte não tenho medo, de envelhecer… um pouco!

A vida me deu muita coisa e me tirou alguns móveis do caminho. Objetos de grande valor me foram furtados por ela, e alguns regalos foram dados ao longo desta curta e intens estrada.

Já tive amores de todas as cores e sabores. Provei de todos os frutos e liquidos. Me joguei em precipicios e fui segurado por irmãos de verdade. Alguns anéis sumiram e os dedos se feriram com os arrancos desta brincadeira de viver. Do jogo ainda sei pouco. Movo aqui e ali umas peças e me arrisco de fato. Curto o risco e o cheiro de pneu queimando o asfalto. Mas ainda está longe o cheque-mate, afinal ainda há fortes pulmões, sangue que ferve na veia e um coração que teima em pulsar com a velocidade dos meus pensamentos… às vezes mais ou menos acelerado que o cérebro.

Comprei pouco, poupei nada, aproveitei um tanto, e somei muito… hoje estou na luta por pouca subtração e um produto mais real.

Não plantei uma árvore até agora. Não escrevi nenhum livro e acho que nunca o farei. Não tive filhos, mas comprei um cão e fiz de um grande amor a base da minha familia.

Familia é meio um substantivo estranho pra mim. Eu que fugi tanto, hoje vejo em cada amigo uma parte do que seria uma grande familia.

Amar de verdade…

Tenho um grande amor. Tenho um amor animal que gosta de recostar nos meus pés e me lamber o sal da pele. E o meu coração bate forte por alguém… sempre!

Abrir janelas…

Muitas portas se fecharam. Janelas se abriram. O vento nunca deixa de correr e por mais curto que seja o corte do meu cabelo, ainda me balançam os pêlos…

A felicidade a gente aprende que é como uma tempestade. Vem arrasadora, derrubando tudo e vai discreta, suave, deixando lembranças.

E como é bom saber que há Histórias na memória e na lingua…

O que posso concluir do abstrato sentimento que é amadurecer? é saber que no balanço das horas, na trilha, sob uma chuva torrencial… seja lá em qual clima for, a verdade é que tudo nesta vida vale a pena… e se tiver que ser este meu fim que saibam todos o quanto fui feliz e quando quero repetir esta mesma vida em todas as próximas vezes que me permitirem voltar… e oh! não quero tocar de onde parei, não! quero recomeçar do zero e olhar com olhos de criança para as mesmas coisas, e como um cão em seu primeiro passeio de carro, me divertir com o vento na cara.

Obrigado. Meu muitissimo obrigado!

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