Eu sou Clark Kent

novembro 13, 2009

i-ckQuando criança eu sempre sonhei ser um super-herói. Os físicos definidos e fortes, os poderes mais extraordinários, a capacidade de resolver qualquer problema e vencer mesmo diante da criptonita… os heróis quase imortais sempre me pareceram especialmente divinos. Talvez por já me sentir gay e achar que assim seria uma maneira de fugir de qualquer coisa que pudesse me impedir de ser feliz e seguir em frente. Mas sou mortal e assim o serei até o fim; não vim com nenhum x-poder. Imortalidade também seria algo precioso, mas pensar num futuro eterno seria tedioso. E Homens como eu detestam o tédio.

Se nos sonhos eu sabia voar, na vida real meus pés, embora forçados pela gravidade não desgrudassem do solo, viviam na Lua, em Marte – quem sabe bem além deste Universo. E com isto, coisas do cotidiano nunca me foram fáceis.

Nunca fui um gênio e nem um menino do tipo a frente dos outros. Pelo contrário, sou e sempre fui um comum, menos que comum, um menino esquisito que aprendeu a se equilibrar em cima de uma bicicleta aos 12 anos. Até os 15 anos mal sabia dar um laço no sapato; com 14 beijei pela primeira vez os dois gêneros (meu tio, cunhado da minha mãe, e a menina mais linda da rua, a qual mordi com tanta vergonha e força seu lábio inferior que me tornei o seu eterno desafeto. E verdade seja dita, não tinha bom gosto, a linda era uma baranga, e ficou pior com o tempo. Como o tempo pode ser cruel!). Aos 18 acabei o segundo grau e aos 29 comecei a primeira faculdade – que nunca terminei!

Só aos 19 fiz minha primeira viagem aérea, mas foi direto para o Hawaii. Aos 25 perdi minha mãe, acho que foi a coisa mais precoce que tenho em minha biografia; nesta época estava dentro de um casamento gay complicado. E será que já descobri o sabor tutifruti do amor?

Hoje aos 33 anos me sinto como no primeiro dia que subi numa bike: nervoso, desequilibrado e medroso. Estou aprendendo a dirigir, sim, muito tarde! A cada aula a sensação que tenho é que nunca aprenderei. Cada novo dia parece que desaprendo tudo que aprendi no anterior. Um sacrificio maior que dar o primeiro passo quando se é um bebê gordinho – eu fui!

A vida tem umas coisas engraçadas. Nunca tive nada cedo no meu caminho ao sucesso, mas o pouco que consegui me veio como que um prêmio. Será que ai está a graça da vida: ser um Clark Kent e não um Superman?

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