Por um fio

outubro 27, 2009

125_16_Telefone

Eram quase 9 quando o telefone tocou. Percebi logo que era ele do outro lado. Disse um alô feliz da vida, como um adolescente que estava prestes a viver seu primeiro amor. Sentir isto nesta altura da vida é muito gostoso.

Começamos falando de coisas variadas. Dos fatos dos nossos dias, das 7 pessoas que nos ligavam, das possibilidades e, assim  de repente, estavamos comentando sobre aquele beijo na noite passada. Como foi bom! E da pegada forte e do olhar profundo, do tipo de perfurar o aço. Clark Kent olhando Lois Lane. De fazer o sangue ebolir, derrubar edificios. Atravancar o trânsito. Isto me segurou por um segundo ali na sua frente e aqui, do outro lado da linha, eu revivi este momento.

Me perdi no assunto. Deu branco e retomei os fatos cotidianos. Ele me acompanhou. Conversamos sobre tudo como dois meninos em comercial de chocolate. Queria ouvir um convite mas dei graças a deus que não rolou, embora sentisse na sua respiração que ia rolar, e ele se segurava. Eu me segurava.

A ligação caiu três vezes, sempre me retornava. E a cada chamada, um assunto novo. Dedilhavamos os temas como num quiz, como um ansioso espectador de tevê a cabo. Sem parar em nada. E por fim deixamos escapar o desejo de estarmos abraçados, cada qual dedilhando o seu ponto de interesse. Implicitamente – porque não revelamos nada – queriamos explodir e suar as paredes.

Passamos da meia-noite, ali no telefone. Eu já esticado no meu sofá, a televisão no mudo a exibir cenas sem importância e iluminando o ambiente. Imaginava que ele poderia estar na mesma situação, quando me confessou que me via no Facebook, e disse mais. Se aproveitando de um status, me perguntou quais eram meus desejos e tivemos um upgrade no papo. Crescemos juntos e quando estavamos bem próximos, nos acalmamos com um “posso te ver amanhã?” quase unissono. Rimos. Prometemos que sim – cada um no seu tempo.

Desligamos.

 

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