I told you I was trouble, you know that I’m no good

outubro 24, 2009

“The thrill is gone baby…”, deixou desleixadamente escrito num guardanapo sobre a mesa do café da manhã, antes mesmo que eu pudesse tomar o meu desjejum, e foi-se. Ele ainda me paga. Ontem a noite me disse que faria e fez. Eu devia ter dado mais crédito. Faz tempo que ele está descontente com a vida que levamos. Mas que culpa eu tenho? Diz que sou medíocre, que não há razão para ficar o dia inteiro no trabalho e deixa-lo a sós com a novela. Quando veio morar comigo ele sabia que eu era desse jeito. Eu respeitei os negócio dele, aliás, foi isso que me encantou quando o conheci. Mas prefere que as coisas caminhem desse jeito, tudo bem. Maldito! Sempre fiz tudo o que quis. Deixei tudo de lado para estar ao seu lado. Compro pão todas as manhãs. Faço brigadeiro quando assistimos um vídeo nos findis. Ouço todas as suas teorias e devaneios. Não entendo nada, mas ouço mesmo assim, para mostrar que tudo nele me interessa. Aí esse viado me apronta uma dessas! Largou uns cds aqui só para me maltratar. Ele gosta. E o que eu vou fazer? Ouví-los, né! Lembro do seu jeitinho de balançar a cabeça e mexer os quadris quase num contratempo quando escuta essa música. Desgraçado. Já sei o que vou fazer! Ah, sei! Alô, João, quais os planos para hoje a noite? Quer saber, não vou a lugar nenhum. Nenhum lugar tem a mesma graça sem ele. Vagabundo.

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