Pegadas na areia

outubro 21, 2009

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Tive uma pausa hoje e fui andar a beira-mar. Um calor delicioso e aquele vento bom que só existe aqui na Bahia. Praia semi-deserta; talvez com um poderoso binóculo eu pudesse enxergar minhas únicas companhias vindo ao meu encontro lááááá do outro lado: três mulheres alegres e conversadeiras. Mas até nos cruzarmos haveria ainda muita areia para pisar.

Descalcei minha amareladas havainas brancas (meu clássico), arrisquei pôr minha barriga a mostra e exibir pro Sol toda a minha pele branca, pálida… me arrisquei, pois é verdade que se estivesse no Rio jamais ousaria tanto, afinal, meu corpo está bem longe do padrão permitido por lá. E caminhei, pisando forte com vontade de deixar minhas marcas na areia fofa que chupava com vontade cada onda que a inundava e partia, indo e vindo sem pedir licença, forte e espumosa. Engraçado olhar o mar com olhos de estrangeiro!

Andei fortemente sobre a areia, deixando o Sol torrar meu corpo branco, levemente protegido por uma tênue camada de protetor 30. Meu belissimo Rayban dourado escondia meus olhos da claridade.  Numa mão a minha camiseta regata preta e na outra meu par de chinelos. Ouvindo Omara no iPod, segui.

Os pensamentos lutavam por espaço dentro da minha mente e por minutos viajei dali até aqui onde estou agora – sentado de frente a minha televisão de plasma de 42 polegadas vendo uma atração qualquer do canal a cabo e pensando: então ali na praia, enquanto meus pés molhavam-se na aquela água estupidamente gelada e se esquentavam no Sol baiano, eu caminhava pensando em mim sentado na sala da minha casa vendo tevê e pensando em minha vida e nas pessoas que conheci e que admiro, nas conquistas que poderiam ser minhas e são dos outros e naqueles amigos que fiz mas que não tenho retorno; queria tanto ter contado outras histórias, aberto outras portas, encontrado outros caminhos; queria tanto ter chorado menos, feito mais, buscado com mais intensidade e não perdido tanto tempo com os sonhos…

…assim, como num zoom cinematográfico, a câmera se afastou do objeto e o zoom foi se fechando… um efeito incrivel que focalizou a mim mesmo, num plongê, me enquadrando ali, caminhando na área; quando olhei para trás, o tempo todo somente haviam minhas pegadas, uma a uma, profunda, marcante e bem desenhada na areia, e apesar das ondas ainda estavam ali me seguindo. Por um piscar de olhos lembrei daquele velho quadro e daquela passagem biblica sobre um deus que carregou seu filho nos braços no momento mais dificil… imaginei se estava nos braços de um deus agora e se havia ainda dentro de mim algum sonho ou força para deixar de lado, arregaçar as mangas e ir a luta.

Eu sempre fui só e sempre precisei remar contra muitas marés, poderia estar eu mesmo me carregando no colo nos momentos mais dificeis?

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