O dia em que tudo terminou e nada foi levado tão a sério; e o Sol raiou como sempre tem que ser…

outubro 15, 2009

De repente olhei pela janela e no reflexo me vi. Mas não era eu como agora, trazia a pele clara e lisa da infância, um cheiro de pureza e todo aquele fogo que sempre brilhava em altas chamas na menina dos meus olhos. E tudo isso despertou em mim memórias e sentimentos de presentes, uma certa nostalgia do futuro – a mesma que devemos sentir quando nos percebemos no fim dos nossos tempos, ou da vida, como preferir.

Vi me vendo sem querer tirar os olhos e notei que precisava naquele momento, ou neste momento, reviver o que já sei e entender o que ainda virá; ou que já veio e eu deixei passar.

Se num passado muito próximo precisei gritar dentro de um túnel para daí sentir ecoar em minha alma, reverberar em minha pele; hoje preciso entender, me entender, me buscar e buscar entender todo o sentimento que carrego em cada ruga da minha mais não-pura-e-lisa aparência – sou eu aqui no reflexo, mas um eu  do passado? ou o eu que virá? E quando virá? Virá?

Acabei de ver “Marley & Eu” e chorei. Abracei o Willian e juntos choramos. O Zezinho subiu e parecia sentir todo o sentido daquelas lágrimas, que mesmo não querendo (embora precisássemos!) vertiam sem controle. E ele parecia chorar conosco ali buscando aconchego entre as pernas do Willian e com seus olhos castanhos escuros procurando dizer – estou aqui e entendo vocês, somos uma família agora e para sempre.

Pois é, somos uma família e não importa o que venha a partir daqui. E tudo que vem não podemos chamar de separação. Chamaria de momento, chamaria de algo que não podemos explicar, mas o que temos já existe e nada poderá mudar. Somos uma família agora. E o agora vem desde sempre!

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