Em dias de chuva o melhor é quedar-se sobre qualquer proteção

outubro 15, 2009

guardachuva+rasgado

Ela atravessou a rua desesperadamente atrasada; protegida por um pequeno guarda-chuva colorido. A maquiagem em seu rosto resistia firme e forte ao suor que escorria, apesar do frio ao seu redor. Fez sinal para o ônibus e foi-se na mesma direção de sempre. Pensou que poderia escapar assim dos acasos da vida e antes mesmo que rodasse a roleta, pensamentos emergiram de todos os cantos e visões tomaram de assalto a lotação.

Lembrou-se da avô materna falecida no último ano do século passado, da mãe que morreu anos depois poucos dias após 11 de setembro, do grande amor de sua vida que precisou abandonar tem um mês porque se apaixonou pela cama de outro e no entanto ainda se questiona se foi loucura ou não; e viu as gotas da chuva escorrendo pelas janelas do ônibus, diminuindo e anunciando que seria algo passageiro.

Apertou o botão com a força do passado, desceu os degraus e esqueceu-se do pequeno guarda-chuva, que molhado, ficou no cantinho encostado, fechado com todas as experiências vividas, e ganhou a calçada mais leve, seca por dentro e feliz.

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